Uma acadêmica de medicina em crise…


Oxi! Que saudade desse cantinho…

Saudade de escrever, saudade de expressar coisas que se passam aqui dentro. Na correria dos dias de hoje, engulo seco meus pensamentos, e de repente me vejo sem criatividade, sem força pra sentar, pensar e nomear minhas emoções. Pode parecer, mas não estou reclamando da minha vida. Quem me conhece sabe que nessa fase que estou a minha faculdade toma grande parte do meu tempo e da minha alma. Eu amo a medicina. Não toda ela, mas grande parte. É como com as pessoas, você ama aquela tua amiga de paixão, mas dos defeitos ninguém gosta. Fazer o que, nosso amor é limitado… rs…

Medicina requer conhecimentos técnicos na ponta da língua e dos dedos. Sim, porque Medicina é prática, é mão, é saber tocar, é saber o que procurar, encontrar pulsos arteriais usando seus conhecimentos anatômicos adquiridos lááááá no primeiro período da faculdade… 

Mas ainda bem que a Medicina guarda em si um lado também humano (“Medicina é arte com conhecimento científico“), que é onde minha alma se deleita. No olhar triste do paciente acamado, no sorriso tímido dele quando você chega pra examinar ele – algo tão simples e rotineiro pra você, mas especial pra quem está internado e solitário -, na revolta contida por estar ali há longos meses sem ao menos ver o céu. Sim, porque a relação com o paciente não é só flores. Já cansei de ler textos que falam sobre a recompensa do nosso esforço ao presenciar a alegria do paciente mediante nossas condutas terapêuticas. Mas pouco, muito pouco se fala sobre as trocas afetivas inerentes à relação médico-paciente, a tão falada transferência (relação esta que ocorre com todos os profissionais de saúde, mas digo aqui médico porque é o setor que me cabe; não quero de forma alguma desmerecer a importância das outras funções, pois somos equipe multidisciplinar, e juntos somos mais!).

Quantas e quantas vezes o afeto transmitido pelo paciente nos deixa desconfortáveis, irritados e até mesmo com repulsa pelo paciente. Que loucura o ser humano e suas relações… Loucura esta muitíssimo interessante! Sou suspeita pra falar!😀

Até pouco tempo atrás eu sentia, mas não entendia. Mas tudo mudou – vem mudando – depois que entrei em contato com um trabalho maravilhoso lá na minha faculdade chamado Grupo Balint… Mas essa conversa vai ter que ficar pra depois…

Enfim, tenho percebido, com o auxílio desse grupo e do meu psicanalista (sim, estou fazendo análise!), que eu sou uma pessoa muito sensível. Na verdade já sabia disso, mas não via relação entre isso e a minha rotina. Nos últimos dias tenho visto que o dia a dia científico e técnico muitas vezes reprime minha sensibilidade e criatividade. Então não é exatamente a falta de tempo que causa a dificuldade que tenho tido em escrever – aqui e em trabalhos na universidade (extensão e ic) -, embora ela de fato exista, mas é principalmente um espécie de apatia da alma. Isso explica o parto que tem sido expulsar as emoções que se encontram no mais profundo do meu ser.

O que me anima no meio disso tudo, é que eu adoro ciência, adoro universidade, adoro hospital, adoro gente. E verdade seja dita: médico bom é médico técnico. Quando uma pessoa precisa de um médico, ela precisa primeiro que ele conheça e domine a técnica. Então, nessa fase de faculdade não tenho pra onde correr. E nem quero. Entender a fisiopatologia das doenças, suas manifestações clínicas, arriscar diagnósticos à la Doctor Gregory House é algo demasiadamente estimulante!

Claro que terei que estudar para o resto da minha vida, mas como pretendo seguir pela área da Psiquiatria, será puro prazer me debruçar nos livros horas e horas!😀

Todo mundo sabe que os resultados do estudo são ótimos, ampliando nossos horizontes, fazendo a cabeça pensar, trazendo resultados práticos profissionalmente. De fato sentar a bunda na cadeira não é nenhuma delícia, mas a sede por conhecimento supera qualquer desconforto! rs!

Bom, é isto… Seguimos à procura do nosso lugar ao sol!🙂

Abaixo segue um texto que produzi no final do ano passado. Por conta de outros projetos temporalmente prioritários, tive que arquivá-lo por agora. Mas eventualmente terminarei… 

Espero que gostem, se identifiquem e traga algum impacto positivo na vida de vocês. Se é que vocês existem! HAHAHAHAHA Abandonar blog tem dessas coisas, fica às moscas mesmo! rsrsrs! No mínimo estou escrevendo pra mim mesma, e isso já é terapêutico!

 

Os impactos do estresse social na corporeidade

Diante de uma ameaça à vida o reflexo de luta ou fuga é desencadeado. Os neurônios do núcleo paraventricular do hipotálamo secretam peptídeos, como o hormônio liberador de corticotrofina (CRH). Após 15 segundos o CRH chega, via sistema porta hipofisário, à adeno-hipófise, estimulando imediatamente a liberação do hormônio adrenocorticotrofina (ACTH). Poucos minutos depois o cortisol é secretado, o que mobiliza as reservas energéticas, preparando o organismo para as demandas do ambiente externo. Assim, o sistema neuroendócrino – glândula adrenal e sistema nervoso autônomo simpático – é requisitado para cumprir uma de suas funções primordiais: a manutenção da homeostasia.

Na atual lógica capitalista há um considerável enfoque no crescimento econômico, sendo o ser humano visto como peça fundamental para o acelerado funcionamento desta maquinaria. Assim o homem moderno vem sendo exposto à muitas exigências sociais, em diversos âmbitos, com destaque para o seu desempenho profissional. Espera-se desse uma produtividade cada vez mais alta, a fim de acompanhar as constantes mudanças e avanços tecnológicos. Tal homem coisificado precisa, então, fazer um esforço sobre-humano, tendo como estímulo promessas de realização pessoal via consumo, para sobreviver à competitividade do mercado de trabalho.

Essas altas expectativas as quais o sujeito é imposto, uma atmosfera de forte tensão, põem à prova a capacidade adaptativa deste.  Uma série de reações adaptativas aos estímulos externos, recebidos como fatores estressores, são ativadas.

Nessa perspectiva, nos tempos de hoje não é raro estarmos tensos, sob pressão; raro é pararmos, em meio a dinâmica do dia a dia capitalista, e observarmos os sinais ectoscópicos de tensão que nosso corpo exibe.

O estresse existe para que os indivíduos se preparem para enfrentar situações diárias que são percebidas como difíceis, que representam algum tipo de risco, exigindo esforço. Neste caso o ambiente de trabalho e/ou de estudos pode ser visto como algo ameaçador.

A ativação de respostas simpáticas de luta ou fuga perante tais requisições indica que algum grau de ansiedade fez-se necessário para que nossos ancestrais tivessem êxito na adaptação, sendo relevante para proteção e sobrevivência do indivíduo. Classicamente o corpo se prepara redirecionando o fluxo sanguíneo para os músculos esqueléticos e para o encéfalo. Ocorre aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial para permitir que o sangue circule mais rapidamente e assim chegue ao sistema nervoso central e ao sistema músculo-esquelético maior aporte de oxigênio e nutrientes, facilitando o movimento. Simultaneamente o fígado libera glicose que estava armazenada sobre a forma de glicogênio. O baço é contraído, levando mais eritrócitos à corrente sanguínea. As possíveis lesões teciduais causadas por agentes externos agressores seriam aplacadas pelo aumento da quantidade de linfócitos no sangue. Há elevação da frequência respiratória e dilatação dos brônquios, para facilitar a captação e o recebimento de mais oxigênio. A dilatação pupilar e exoftalmia objetivam o aumento da eficiência visual.

De acordo com Selye (1965) o processo de estresse desencadeia-se em três

fases: de alerta, de resistência e de exaustão. Mantendo-se tal perspectiva, Lipp (2004) postula que o estresse se desenvolve em quatro fases: de alerta, de resistência, de quase exaustão e exaustão.

 

Quando o estresse atinge níveis de intensidade insuportáveis e por longos períodos, ele deixa de levar a adaptação do ser no ambiente, passando a causar doenças. Como dizia Hans Selye, o estresse é o resultado do homem criar uma civilização que ele, o próprio homem, não consegue suportar. As tendências hereditárias e as primeiras experiências de vida, juntamente com o estresse social, são responsáveis pelo desencadeamento deste estresse patológico.

reação de hiperatividade córtico-supra-renal, sob mediação diencéfalo-hipofisária, com aumento volumétrico do córtex da supra-renal, atrofia do baço e de estruturas linfáticas, leucocitose e diminuição de eosinófilos.

Se os estímulos estressores continuarem a agir, ou se tornarem crônicos e repetitivos, o corpo será obrigado a manter o esforço de adaptação, com cronificação do estado de alerta. A resposta basicamente se mantém, mas com duas novas características: diminuição da amplitude e antecipação das respostas.

O organismo se organiza com a hiperatividade cortiço-adrenal, sob mediação diencéfalo-hipofisária, com hipertrofia do córtex adrenal, atrofia do baço e de estruturas linfáticas, leucocitose e diminuição de eosinófilos. Observa-se o aparecimento de hipertensão arterial sistêmica, úlceras gastro-intestinais, alterações de humor, como ansiedade, depressão, irritabilidade.

Nesta fase alguns indivíduos podem exteriorizar raiva, quando há aumento da secreção de noradrenalina, ou a desenvolverem sintomas depressivos ou ansiosos quando expostos à adrenalina. Há importante imunodepressão, decorrente em parte da liberação prolongada de cortisol, e conseqüente aumento da probabilidade de estabelecimento de infecções, estados inflamatórios graves e alguns tipos de câncer.

Poderá ainda haver falha nos mecanismos de defesa, com desenvolvimento da fase de exaustão, com grave perda de reserva energética, complicações decorrentes deste esgotamento por sobrecarga fisiológica, podendo chegar ao óbito.

Assim, a ansiedade pode desencadear respostas psicológicas e comportamentais amplamente disfuncionais se ativadas, gerando algum desgaste no corpo e na mente, que pode atingir níveis degenerativos.

Entretanto, o estresse não se trata do vilão dessa história. Na realidade, com ele foi possível que a humanidade persistisse, já que, à princípio, essas respostas tem como objetivo adaptar o indivíduo à nova situação. Fato é que hoje o estresse é uma epidemia global. (OMS)

Se alguns de nossos traços de ansiedade foram vantajosos tempos atrás, no contexto atual o ser humano pode não ser capaz de corresponder a tantas cobranças, gerando desequilíbrio psíquico e/ou orgânico, gerando, inclusive, transtornos psiquiátricos contemporâneos ou aumentando a prevalência dos já existentes, constituindo verdadeiras doenças de adaptação.

Estudos indicam que os indivíduos diferem quanto à forma de reagir aos desafios impostos pela vida, assim como os desafios mudam dependendo do momento histórico e cultural.

Barlow (1993) sugere a existência de uma vulnerabilidade biológica e uma vulnerabilidade psicológica. Biologicamente algumas pessoas reagem com uma ativação fisiológica maior aos acontecimentos estressantes. A vulnerabilidade psicológica corresponde a uma percepção de imprevisibilidade em relação ao mundo, que é aprendida, a partir da relação familiar e das experiências de vida. Assim, se uma pessoa possui o componente biológico e desenvolve o componente psicológico, ela estará predisposta a sofrer de um transtorno de ansiedade, à partir do momento em que surgirem os acontecimentos estressantes da vida, os quais funcionam com o estímulo disparador que conduz a um transtorno de ansiedade.

Assim como o estilo de vida humano sofreu transformações, o processo evolutivo também vem sendo objeto de alterações. A questão que se coloca para o ser humano de hoje é como lidar com estas questões contemporâneas, desenvolvendo resiliência, fundamental à sobrevivência ao “capitalismo selvagem”. 

 

E the last, but not the least, assitam esse vídeo fenomenal da Maria Rita Kehl: http://www.youtube.com/watch?v=MfjCMttR2Dw

Enjoy!🙂

Fome


A música chega ao fim ressaltando o angustiante silêncio. Não dá mais pra disfarçar que hoje está sendo um daqueles dias tristes. Enquanto amigos me cercam, tudo bem, tudo bem. Sozinha no silêncio vazio, só consigo ouvir a carência desesperada queimando de apego. Mas a chuva lá fora esfria, molha, tudo… Em casa não consigo encontrar.

Recorro aos lugares públicos, e nada. No supermercado passo calmamente por todas as seções. O que eu estou procurando?

Pessoas passam e eu não sei o que estou fazendo ali.  Lembro como era antes e como agora está igual de novo. Se arrumar para ir ao supermercado e circular no meio de estranhos. Voltar para casa de mão vazia.

Não acho.

Serei eu uma eterna insatisfeita?

Compro doces. Mas não são os que eu estava desejando.

Como. A fome passa. E esse vazio, quando vai passar também?

Despedidas sempre tão azedas, amargas… Qualquer gosto ruim desses. Me embruga o estômago só de pensar…

O pior de tudo é perceber que fui eu quem escolhi no menu da vida. E no fundo no fundo eu já sabia que não era isso que eu queria comer. Não era o meu desejo. Era uma fome desesperada por companhia. Não só, mas também. Eu me atrevo a dizer que a fome é nosso maior motor.

Mas aqueceu, trouxe vida… Ah, vida! Vida que jurava ser pra sempre, que pareceu ser enfim o sonho realizado! Vida tão colorida, onde você foi parar?

A vontade que dar é de me alimentar de sol só.

É, vou entrar de dieta…

1 coração leve, por favor.


 

Emoções fortes me levam a escrever.

 

Sentimentos negativos e intensos me levam a escrever como forma de desabafo…

Talvez por isso os grandes tinham vidas intensas, repleta de altos e baixos, e assim esbanjavam criatividade na hora de retratar sentimentos.

O que é intenso fatalmente é manifesto, pois a coisa atinge uma força tão grande dentro de si, que precisa sair, conhecer o externo. Salvo as devidas exceções, quem tem sangue frio, etc. rs…

Eu tenho me perguntando porque deixei de escrever aqui com a antiga frequencia e empolgação. Acho que mudei, que minhas prioridades atuais são outras. Eu não sou mais caloura, não estou no comecinho da faculdade, estou numa fase mais séria, importante, já que o que eu investir agora vai render frutos no futuro, a curto, a médio e a longo prazo. Então, consequentemente, meu foco está em outras coisas.

Como viver é muito dinâmico, tenho experimentado coisas novas, algumas muito felizes, outras que me dão uma ansiedade para mudar logo e entrar nos trilhos… Mas, enfim, só de ver que estou sempre aprendendo e que, diante das mudanças que preciso realizar na minha vida, o mundo vai sendo moldado e melhorado, bem de acordo com a minha velocidade de desenvolvimento…

Não me faltam emoções boas! Emoções que mexem comigo de uma forma que me fazem cantar no chuveiro, cozinhar para os meus amados (Eu na cozinha?! Comassim??? rs), redecorar a casa, manter o quarto arrumado e agradável, enfim, demonstrar com ações, mais do que com declarações, meu amor por aqueles poucos que me identifiquei ao longo da caminhada, e os quais tenho levado comigo pra onde vou!

Porém, quando uma situação desagradável se coloca e eu sou injustiçada, humilhada, destratada… Eu simplesmente preciso colocar pra fora a minha revolta por não ter feito absolutamente nada para receber tal (des) tratamento.

“Ninguém pode te colocar pra baixo sem o seu consentimento.”

Levo essa citação no lado esquerdo do peito ou num dos dois hemisférios cerebrais, tanto faz, rs, desde que vi o “O Diário da princesa”. É agora que vocês ficam achando que eu só gosto de filme água com açúcar hahahaha! Ah, pré-adolescentezinha que não assistiu, que atire a primeira pedra!

A frase em questão trata-se de um ótimo conselho que o motorista da vovó rainha dá a  Mia (Anne Hathaway), gata borralheira prestes a se tornar princesa, que no momento se encontra atravessando crises existenciais típicas de uma adolescente…

Acontece que ignorar um desaforo de um desconhecido, de uma pessoa que não significa nada pra você, é uma coisa. Outra completamente diferente, é quando a agressão vem de alguém que você ama, logo tem acesso direto e irrestrito ao seu coração. Pior: quando a coisa vem sem aviso prévio, você é simplesmente pego de surpresa!

A amarga surpresa não tem nem muito tempo para ser processada. Ocorre um conflito instantâneo na mente! Já que não se espera esse tipo de comportamento de uma pessoa que você considera especial, bem mais do que um colega que se convive nas obrigações diárias em comum…

Hoje eu acordei bem humorada (afinal é sexta feira!!! o/), me arrumei com gosto e fui encarar o meu dia. Dei um amoroso “Bom dia!!!”, mas em troco recebi um fora daqueles, tom de voz agressivo, questionamentos indevidos, desconfiança sobre mim. Sério isso?! Vc me conhece ou não? Eu tenho palavra. Tá aí uma qualidade minha que não falhou nessas 23 primaveras!!!

É TER-RÍ-VEL passar por isso sem ter merecido!

Hoje eu aprendi uma receita que consegue estragar o dia de alguém direitinho: a pessoa já vem com uma ideia pré-julgada, te coloca contra a parede como se fosse um criminoso, mentiroso, e vomita na sua cara uma raiva sem sentido.

Como se defender de quem você nunca se armou? Criar defesas imediatas?

Dá licença, mas eu não vim ao mundo pra esculachar ninguém, muito menos uma pessoa que eu amo. Sim, ainda amo, apesar da enorme decepção que tive hoje.

Mas amo muito mais a mim mesma! Tanto é que me afastei. E continuarei afastada caso não haja nenhuma mudança da outra parte.

Uma agressividade que, provavelmente, foi causada por algum problema pessoal, foi transferida erradamente para mim, e eu servi de saco de pancadas. Isso pode até acontecer uma vez, mas não vai se repetir!

Eu vim ao mundo para amar e ser amada.

É uma pena, porém quem despeja nos outros raiva acumulada, e ainda tem um orgulho gigante que incapacita de se desculpar, está plantando uma semente muito amarga. O resultado é distanciar de si grandes amigos.

O mundo não está aí para nos servir. Pensar assim é o auge do egoísmo.

Aprenda a lidar com as dificuldades da vida.

Se não tá num momento bom, fala que tá a fim de ficar quietinho na sua ou se abre e desabafa. OK, até aí super tranquilo, essas são reações equilibradas e muito sábias.

Pode até rolar de muito esporadicamente a pessoa perder o juizo e descontar em quem não tem nada a ver, mas tem que ter consciência e humildade suficientes pra se desculpar o quanto antes, e também determinação para mudar esse defeito intolerável… Terceirizar frustrações deveria ser pecado!

O que doeu mais ainda foi ver essa mesma pessoa horas depois rindo e interagindo com outras pessoas na minha frente, ignorando a minha pessoa. Então quer dizer que faz grosseria indevida e depois ainda tem a coragem de rejeitar? Depois que extravazou, ficou calmo e tranquilo, mas deixou pra trás uma pessoa com o coração em frangalhos. Isso não faz sua consciência tocar uma sirene e acender luzes vermelhas piscantes???

Que audácia ignorar a Lei Universal da Causa e Efeito. Aqui se faz, aqui se paga. Eu que não vou me vingar, mas que as consequências da Vida virão dar uma lição, ô se virão!

Logo depois me deu uma vontade enorme de ficar quieta na minha, de sumir, ir pra um Universo paralelo, dormir o sono de Jane (no filme Forrest Gump), desistir das pessoas, sei lá…

Mas, se eu generalizasse estaria cometendo o erro que cometeram nessa manhã comigo: fazendo pagar o pato quem não tem absolutamente nada a ver com o problema!

Tudo isso me lembrou este texto maravilhoso que conheci na minha oitava série, época também em que nasceu uma amizade linda, profunda, verdadeira com uma amiga do peito e que eu encho o peito pra dizer que amo demais!!!

Anos depois, continua sendo um desafio ter “casca grossa” pra suportar feridas decorrentes de alguns relacionamentos humanos…

“A Fábula do Porco-espinho.

Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.
Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor. Por isso decidiram se afastar uns dos outros e começaram de novo a morrer congelados. Então precisaram fazer uma escolha: ou desapareciam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros. Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos. Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro. E assim sobreviveram.

Moral da História
O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro, e admirar suas qualidades.”

Enfim, espero de coração que essa pessoa bote a mão na consciência, me peça as desculpas que eu de fato mereço e mude esse comportamento.

E espero também que a gente dê o devido valor aqueles que enchem os nossos dias de sentimentos bons!

Jogar fora uma amizade verdadeira é um baita de um desperdício!!!

xoxo

Que seja doce


Eu sou adepta da intensidade, da transparência, da vida bem vivida, sem arrependimentos.

Como boa humana, minha crença é minha lei; lei pra mim apenas, ou pra você também, se desejar. Seja bem vindo, mas não seja nunca recriminado se o seu pensamento não for o meu. Se quiser entender minha visão, usarei os melhores argumentos, para iluminar, não para catequizar (Peço que me ajude também nas várias outras partes da minha vida que precisam ser preenchidas pelo Amor para que minha vida se aproxime mais da Essência.). Não se ofenda caso eu também queira entender porque pra você o melhor caminho é ser reservado no campo das emoções.

Pra mim o principal motivo dessa minha expressão toda é a impressão que quero causar na vida do outro. Quero marcá-lo. Não para que ele não se esqueça nunca mais de mim, para que eu seja das mais importantes pessoas… Nada disso.

“Toda alma é uma música que se toca.” Rubem Alves

Quero que os meus amados nunca duvidem do meu amor. Que de manhãzinha, quando estiverem lavando o rosto, eles batam o olho no meu amor por eles, coisa de pele. Não só para se lembrarem de mim quando eu me for desse corpo físico, mas também, e principalmente também, porque quero que a cada dia da experiencia-existencia haja certeza do amor que borbulha dentro do meu ser.

Como no fundo no fundo sempre vivemos cada um no seu quadrado, nunca é possível ter certeza do que o outro sente por você. Atitudes demonstram muito, e falam mesmo muito mais que palavras, porém (ah, porém!) nada é assim tão certo. E ainda, o quanto sentem por você é algo ainda mais misterioso.

Pois é, puro mistério é a vida… 

Oro para que nossos esforços sejam recompensados, para que fique claro, como um raio de sol iluminando os nossos dias, todo Amor que existe em nós.

Que a gente demonstre com sinceridade e que ninguém nunca duvide da nossa palavra.  

Mas se duvidarem, se não houver reciprocidade, se… se… se… que haja força para continuar enviando o amor incondicional que não recebemos. 

E finalmente, que a gente ame a todos, sem limitações, sem pré-conceitos.

Posso parecer infantil ou otimista demais pensando assim. Que seja.

Que o meu mundo seja colorido o bastante para ter um coração de criança, leve, alegre, intensamente feliz!

Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz!” Caio Fernando de Abreu

Ao infinito e além


Já faz um tempo percebi que criar expectativas não leva a nada. Na verdade, até leva… à frustração. Então decidi me deixar surpreender pela vida!

Lindo, não?😀 Se fosse fácil, seria mais lindo então!!! rs

Mas será que é possível se ver livre dessa ansiedade, acompanhada de projeções irreais sobre o futuro? Pior: esperar de meros seres humanos determinados comportamentos.

Será que tal hábito decorre de carência? Será?? rs

Se sabemos que não vai nos render o resultado esperado, por que continuamos trilhando esse caminho?

É quase que irresistível querer controlar com a nossa mente o comportamento das pessoas para conosco, visando à satisfação do ego (tô falando besteira, Camilinha? rs). Nossa mente limitada, muitas vezes, nos leva a imaginar coisas dentro de um ideal de felicidade.

Porém, como você planeja pelo outro e põe nele a expectativa de que execute o teu “comando”, você obviamente, não terá êxito.  Ou até mesmo se tivesse, impondo ou não o que se quer… Quem disse que seria, enfim, plenamente feliz?

Largar um monte de expectativas no mundo é querer que ele se encaixe dentro de nossas esquisitices.

“Dê mais e espere menos. Entenda mais e julgue menos.”.

Na realidade, a felicidade pode vir de muitas maneiras… Muitas vezes das que menos esperamos e quando menos esperamos. Ao criar situações na nossa mente, que imaginamos serem as que irão nos fazer feliz, e nos apegarmos a elas, podemos estar limitando outras possibilidades de felicidade que venham em outras formas, em outras cores…

As coisas que mais me fazem feliz têm sido aquelas que chegam inesperadas!

O canal seria, então, deixar a vida nos levar, no jeito  Zeca Pagodinho ser? hahahaha!

Eu diria que nem tanto… Até porque, e se a vida me levar a um lugar que eu não quero?

Quem cala, consente.

E outra: quem não se comunica, se trumbica! hahahaha

Onde fica a nossa autonomia nessa história toda?

Mas às vezes o simples desejo de mudança não é suficiente. Quem nunca experimentou a sensação de impotência, de estar nadando contra a maré?

Talvez essa passividade ainda exista porque nos falta a noção de que somos donos da nossa vida!

Temos o enorme poder de criar, transformar a realidade objetiva. Varrendo a poeira pra fora, limpamos nossa interioridade, moldamos o cenário da nossa vida.

Causa e efeito. Tudo isso acontece de acordo com as decisões que se toma hoje, construindo uma nova força que nos impulsiona, e também quebrando padrões negativos.

A questão é trabalhar na mudança de aspectos em nós mesmos, e não querer forçar as pessoas, a vida, a serem exatamente como queremos.

Se a gente parasse de culpar o ambiente por nossas insatisfações, e gastasse mais tempo com o que vale a pena – ou seja, nós mesmos – transformaríamos muita coisa!  Faculdade, trabalho, pessoas, apenas refletem aspectos do interior de cada um.

O que temos de fato, é a nossa vida hoje; com seu enorme leque de possibilidades! Preocupar-se com o que passa do presente, é desperdício de energia.

Quando se está determinado a ser feliz, nada nem ninguém pode impedir! Pois nós somos o nosso limite!

Tecendo a própria vida


A Moça Tecelã

Por Marina Colasanti

Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.

Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.

Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.

Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.

Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.

Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.

Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila.

Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.

Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponto dos sapatos, quando bateram à porta.

Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.

Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.

E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.

— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.

Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.

— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou. Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.

Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.

Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.

— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu: — Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!

Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.

Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.

Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.

A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.

Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.

Texto extraído do livro “Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento”, Global Editora , Rio de Janeiro, 2000.

Esse conto virou peça de teatro, e foi assim que eu fui saber da sua existência. Conta a história de uma menina, que a partir de sua criatividade e trabalho, dá vida à sonhos. Tecendo com fios feitos de bons sentimentos e o desejo inato de ser feliz,  ela constrói e descontrói. Emociona a sua capacidade de criação, tal qual a figura divina; e nos lembra que pessoas também escrevem por linhas tortas…